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A doença misteriosa dos cigarros eletrônicos.

Palavras-Chave: cigarro eletrônico, vape, vaping, medicina, doença.
O cigarro eletrônico, também conhecido como vape, é um dispositivo usado para fumar. Em geral, tem formato cilíndrico, conta com uma ponteira que funciona como piteira, e na parte interna tem um compartimento onde é inserido o líquido (cartucho), composto por nicotina, sabores artificiais e aromatizantes. Esse líquido apresenta composição e concentração variadas, dependendo do fabricante. Nos Estados Unidos é possível adquirir o líquido que contem maconha (sua substância ativa conhecida como THC).
O cigarro eletrônico não realiza a queima do tabaco. Ao aquecer a substância líquida, produz vapor, preconizado como menos prejudicial. O calor é produzido por uma resistência aquecida (atomizador), que gera uma corrente elétrica proveniente de bateria de lítio. Tal dispositivo já sofreu muitas mudanças, e está na quarta geração. Pode-se encontrar modelos parecidos com “pendrives” e recarregáveis através de USB, o que acaba tornando o produto atrativo para adolescentes (que representam uma porcentagem significativa dos usuários de cigarros eletrônicos). Também é comum ver orientações para se usar o cigarro eletrônico com a finalidade de reduzir a nicotina no líquido, na tentativa de ajudar a parar de fumar.
Mais recentemente os cigarros eletrônicos passaram da aparente situação de serem menos prejudiciais para a saúde, para se tornarem dispositivos com riscos graves. Estão ocasionando uma doença pulmonar atípica, com números crescentes. Nos Estados Unidos já foram descritos ao redor de 2290 casos, com 47 mortes.

A maioria dos relatos iniciais envolviam as pessoas que usavam o cigarro eletrônico com o líquido contendo maconha (THC), 30 dias antes dos sintomas se iniciarem. Mas também começaram a ocorrer em pacientes que usaram o cartucho contendo basicamente nicotina.
Os pesquisadores identificaram uma substância, ao que tudo indica responsável pelas lesões, e que foi encontrada nos pulmões das pessoas doentes: o acetato de vitamina E. Tal composto químico é achado em muitos alimentos, suplementos nutricionais e cosméticos, sem causar problemas. Quando adicionado para diluir o líquido dos cigarros eletrônicos (especialmente os que contêm maconha/THC), e após ser inalado, causa lesões pulmonares graves.
Pesquisadores da “Mayo Clinic” nos EUA descobriram que as lesões nos pulmões dos que contraíram a doença são semelhantes a lesões por inalações químicas (queimaduras). Um artigo canadense reportou o caso de um homem de 17 anos com lesões pulmonares, que foram chamadas de “popcorn lung”. Essa expressão é usada para definir a “bronquiolite obliterante”, um tipo de doença pulmonar em que as pequenas vias aéreas, chamadas bronquíolos, estão inflamadas.
A verdade é que muitas substâncias podem estar envolvidas nas lesões pulmonares ocasionadas pelos cigarros eletrônicos, e os mecanismos de lesão podem ser diferentes. Vários pacientes evoluem mal, com necessidade de intubação e ventilação mecânica. Também não é possível prever ainda as consequências respiratórias para os que se recuperaram das lesões.
No Brasil, já foram registrados três casos dessa doença nas últimas semanas. Vale dizer que a venda de cigarros eletrônicos é proibida desde 2009 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Associação Médica Brasileira já emitiu vários alertas sobre os perigos do uso dos cigarros eletrônicos.  Entretanto, a venda desse produto ocorre sem controle na internet e no comércio popular das grandes cidades. As pessoas também costumam trazer os cigarros eletrônicos do exterior.
O cigarro eletrônico com seu apelo atrativo inicial inofensivo, especialmente entre os jovens, tem se tornado um grave problema de saúde pública, com consequências imprevisíveis.  

Fontes:
1- https://www.healthline.com/health-news/lung-vaping-disease-now-called-evali
2- https://www.google.com/amp/s/www.nytimes.com/2019/10/02/health/vaping-illnesses.amp.html
3- https://tecnoblog.net/307362/cigarro-eletronico-como-funciona-e-qual-a-polemica-em-torno-dele/
4- https://veja.abril.com.br/saude/cigarro-eletronico-chegam-ao-brasil-casos-da-doenca-causada-pelo-aparelho/



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